| Segundo o gerente de produto e marketing da empresa, Denis Minchiotti, os usuários ainda estão receosos quanto à eficácia da tecnologia; e o mercado não está completamente aquecido. No entanto, quando houver o “boom” do VoIP, a Gigaset voltará ao mercado. A telefonia IP, apesar de ter se disseminado em vários países em 2010, ainda encontra uma certa dificuldade na compreensão dos usuários quanto aos benefícios do serviço provindo pelas chamadas através da internet. Segundo uma pesquisa de mercado da IT Data, atualmente, 54% das companhias brasileiras aprovam negócios em Telecom com a telefonia IP; 26% influenciam o processo; e 26% participa ativamente dos investimentos. Com relação às soluções em si, apenas 26% das empresas utiliza somente o VoIP, contra 37% que ainda não utiliza e 37% que já dispõem da tecnologia internamente, no entanto, mediante a convivência com a telefonia convencional. Desta forma, como este mercado ainda está em fase de amadurecimento, a companhia Gigaset que, até então, trabalhava em portfólio baseado em telefonia convencional e IP, decidiu parar a comercialização dos produtos que realizam chamadas VoIP. Segundo o gerente de produto e marketing da Gigaset Brasil, Denis Minchiotti, a companhia vem acompanhando o mercado de voz sobre IP desde 2008, com presença efetiva no varejo. O executivo afirma que a comercialização do produto surtiu resultados positivos mundialmente falando, na introdução da tecnologia no mercado. Minchiotti explica que a telefonia IP, quando oferecida em comutado com as operadoras para os usuários finais, trazia bom resultado. No entanto, a companhia começou a observar, principalmente no Brasil e em países da Europa – Itália, França e mesmo a Alemanha, onde está a sede da Gigaset – que a participação no mercado tem reduzido com o passar do tempo. “Vimos redução de mercado principalmente no varejo, na comercialização direta dos telefones IP. O Brasil, em si, também nunca foi um grande mercado para nós, pois não conseguimos fazer com que os usuários entendessem perfeitamente a tecnologia VoIP. Mesmo o público que respira tecnologia ainda tem receio de adentrar a este mundo”, explica Minchiotti. Desde maio de 2009, a companhia comercializou 8 mil aparelhos IP e este número chegará a 10 mil em meados de março de 2011, quando a companhia fará sua última entrega do A580IP. A partir de então, a companhia continuará operando em soluções residenciais e comerciais, mas com a telefonia convencional. “Continuaremos com o C285, os aparelhos hi-end, que possuem acabamento em metal e Bluetooth e todos do nosso portfólio atual”, ressalta o executivo. Para 2011, a Gigaset planeja dois lançamentos: o menor aparelho sem fio do mundo, para uso doméstico; e um telefone fixo com tela tátil e possibilidade de downloads de aplicativos, por ter estrutura Wi-Fi. Minchiotti não revelou mais detalhes sobre os novos produtos. Questionado sobre uma possível volta da Gigaset ao mercado IP, Minchiotti afirma que esta não é uma parada definitiva de comercialização deste segmento na empresa. “Sabemos que a tecnologia VoIP vai evoluir. No entanto, se você perguntar a qualquer empresa quando será o grande momento, o ‘boom’, ninguém saberá te responder. Deixaremos, então, a tecnologia como em stand by. Assim que houver o sinal de que a voz sobre IP efetivamente está crescendo, voltaremos a investir sim no setor”, explica, afirmando que a companhia continua acompanhando os balanços deste segmento no Brasil e no mundo. A decisão foi tomada após a visita do gerente mundial de marketing e produtos, Eric Schmidt, em uma reunião para a discussão sobre o portfólio para o Brasil em 2011 e 2012. Mesmo com a parada na comercialização, Minchiotti afirma que a companhia manterá a assistência técnica do produto. “Os usuários não ficarão desamparados. Ainda ofertamos a garantia e continuamos com os nossos centros de reparação no país. Isto continuará assim, mesmo quando pararmos, de fato, a produção”, completa. Gigaset x Siemens Com parceria desde 1998, a Gigaset e a Siemens mantiveram o processo de transição da marca, cujo contrato previa que 80% desta seria da Gigaset e os 20% restantes, da Siemens. Em 2008, a Siemens vendeu 80,2% da sua divisão de telefones para a Arques Industries. Até então, a junção da Siemens com a Gigaset era a líder de mercado, com registro de faturamento de €792 milhões em 2007. Esta parceria continua somente até outubro de 2011 pois, segundo Minchiotti, a marca Gigaset quer entrar em maior evidência. “Todos os produtos em si comercializados com o logo Gigaset ficarão assim. Para a Siemens, não mudará em nada”, finaliza. |
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Gigaset anuncia fim da comercialização de telefonia IP
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